semtelhas @ 15:31

Seg, 17/06/13

 

Depois de pousar a folha em cima do balcão e enquanto ela não me atendia, eu, para cá e para lá em frente ao dito, espreitando o noticiário televisivo e pensando que este ía ser mais um daqueles dias em que os provérbios me haveriam de afluir à cabeça a tal  ritmo, um atrás do outro, até, como de costume, quase entrar em parafuso. É então que reparo nela a lançar-me olhares furtivos enquanto digitava ágilmente os meus dados e a, disfarçadamente, juntar o polegar com o indicador da mão direita experimentando círculos de vários tamanhos. Quando me encara é para dizer, a seguir à primeira urina do dia faz para dentro deste recipiente durante 24 horas. Incrédulo encosto a barriga ao balcão, e, à espera do pior, espreito com o rabo do olho para debaixo do tampo... confirma-se, haviam recipientes de três tamanhos! Dou uma rápida mirada ao que me tinha sido fornecido, uff! Era o médio, podia ter sido pior... percebeu a minha manobra e pôs um sorriso malandro na cara, ao qual respondi com a expressão mais melosa que o meu gato me ensinou. Nada feito, afiambra as trombras mais ameaçadores que vi nos últimos tempos, de tal ordem que só descanso quando saio dali para fora.

 

Ainda antes destes potencialmente abaladores minutos, e desde que tinha deixado a praia, algumas frases não me largavam, por trás liceu, pela frente museu, ou, ...dá dentes a quem não tem nozes (hoje dá mais jeito assim), aos quais agora, desesperado, depois do infeliz relance na televisão onde passava a notícia do fecho compulsivo da televisão estatal grega, reparo ter-se juntado uma outra, a lei do menor esforço. Se, quanto às duas primeiras me desenvencilhei fácilmente, já a terceira se mostrou bem mais problemática. Foi para tratar desta última como ela merece que despachei as outras, muito provávelmente ambas a azucrinar-me pelo mesmo motivo, vento frio e mar bravo, em areias limpas e serviços de apoio de praias tropicais. É que, para além das poucas criancinhas a correr debaixo d'olho das vigilantes enregeladas, só lá estavam os nadadores salvadores embrulhados nas toalhas, isto em duas das seis prais que cruzo, nas outras estavam completamente sózinhos, e uma quantidade considerável de senhoras que para manterem a linha e sobreviverem à intempérie, lá andavam comigo a caminhar, e cujas silhuetas eram bem apreciáveis, algumas mesmo desejáveis... quando vistas de trás nos seus justinhos trajes de malha.

 

Já a questão da lei do menor esforço puxou um bocado mais por mim. Dizia a notícia que o governo grego pretende reabrir a cadeia de televisão que tinha dois mil e setecentos funcionários com cinquenta. De facto assim compreende-se que não seria fácil adoptar uma postura de convencer, em vez desta de vencer, por ko. Mesmo que fossem de cinquenta em cinquenta dispensas negociadas, íam andar naquilo anos. Tudo isto fez-me lembrar algumas das minhas experiências laborais: sempre que era preciso resolver algum problema, juntava-se mais um ingrediente, mexia-se, levava-se ao forno que era a conversa fiada, e esperava-se que tudo ficasse resolvido. Para não correr o risco da matéria prima faltar, comprava-se o dobro da necessária; com medo de não se cumprir o prazo de entrega, contratava-se um exército de gente e atirava-se o prazo para as calendas; temendo que os custos viessem a ser superiores ao previsto, aumentava-se ao preço de venda. Como é óbvio, toda esta política só foi possível enquanto a mão de obra foi extremamente barata, as matérias primas abundavam, e eram provenientes de países ainda a morar nesse, para o ocidente, maravilhoso mundo da ignorância. O problema é que fazer contas ao pormenor, fiáveis, com uma hipótese miníma de falhar, dava muito trabalho. Parece-me que foi a esse mesmo trabalho que os gregos resolveram fugir, o que aliás lá, tal como cá, parece ser um hábito. Nem que para isso tenha que se passar por cima das mais elementares regras do bom senso e do respeito pelo outro. Os tempos vão mudando e as leis vão ficando, até quando?


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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