semtelhas @ 11:40

Sab, 08/06/13

 

Simplificando, nasceu como tentativa de, numa atividade laboral, minimizar o desiquilibrio de forças entre quem manda e quem obedece. Depois, como complemento para evitar outro tipo de desiquilibrios, foi instítuida a figura da requisição civil, para os casos em que a greve punha em causa a segurança das populações, no sentido mais lato do termo, e dos serviços mínimos, para que a sociedade possa continuar a funcionar de forma minímamente eficaz durante a duração da mesma.

 

Não conheço a lei da greve, não quero, nem tenho que conhecê-la, para compreender aquilo que é suposto as leis terem intrinsecas nelas mesmas, o tal senso comum, ou o bom senso, segundo Kant, o tal que dizia ser este o que há de mais bem distríbuido. E aquilo que percebo é que quem faz uma greve está a praticar um ato cívico limite, até porque durante a sua duração não aufere qualquer remuneração, uma última tentativa de ganhar uma causa que acha justa. Quem é objeto desse protesto, e caso tenha responsabilidades alargadas perante a sociedade, tem obrigação de preservar quem é alheio à questão central de eventuais repercussões negativas. É suposto que desta discussão se faça luz, isto é, que, voltando a Kant, o bom senso aconselhe cedências e promova aproximações. Mas não tenhamos ilusões, o consenso saudável só será atingido se as partes forem absolutamente honestas, principalmente consigo próprias, lutando ao máximo pelas suas ideias.

 

É por isso que não compreendo, nem acho aceitável, a tentativa de instaurar um clima de guerra, baseado na hipotética existência de um lado composto por um bando de malfeitores, e outro de virgens ofendidas. Este quadro só sobrevive num país onde a falta de respeito entre as pessoas, sobretudo intelecual, ainda é enorme. Onde ainda é possível haver uns quantos convencidos que são muito mais espertos que todos os outros, que fácilmente conseguem enganar através de um discurso populista, procurando vencer pela criação de divisões entre as serôdias hostes da populaça, contribuindo assim para a eternização de um atraso endémico. Há dois lados, cada um sinceramente convencido da bondade das suas razões, e há leis para regulamentar o dirimir das mesmas. Que a luta seja completa, digna e até ao fim, porque só assim se curará a ferida, indo ao são. Mas não é legítimo que se destrua tudo em volta, a vida continua. Há, portanto, que manter o essencial a rolar para, uma vez ultrapassado o problema, a roda tenha avançado o suficiente para que as coisas prossigam. Sobressaltos que resultam em melhorias, eis o que se pretende.

 

Lamentável a utilização do fantasma do medo, seja por quem fôr. Não seria já tempo de tranquila e honestamente praticar uma democracia saudável, fazendo uso das leis que ela tão profusamente gerou?  

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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