semtelhas @ 12:12

Ter, 28/02/12

Se analisada a questão de uma forma simplista a palavra Konigsberg, parece ser a única coisa que une Kant e Woody Allen. O primeiro nasceu numa cidade prussiana com aquele nome e, o segundo, tem-no como apelido. Todo o resto parece separá-los, a não ser, talvez, o facto de ambos serem inseparáveis das cidades que os viram nascer. Ou, talvez melhor, comece precisamente aqui aquilo que mais o distingue, o tempo em que viveram. Ou seja, não obstante ambos serem inseparáveis da sua cidade natal, um podia sê-lo e o outro, por imperativos próprios da época, nomeadamente de todo um outro mundo na forma de comunicar, não.

 

A indispensabilidade da reflexão sobre o mundo que nos rodeia, a absoluta necessidade de ousar pensar e, consequentemente, criticar. A capacidade de sair da zona de conforto, de não se deixar embalar por mitos ou crenças, de encontrar as respostas numa outra maneira de interpretar o eu e a forma de este se relacionar com o outro, são tudo conceitos que podemos encontrar nas vastas e riquíssimas obras destes dois geniais homens.

 

Kant, juntando muitas pistas por outros anteriormente descobertas, inaugurou uma forma como que iluminada de olhar para o mundo, um sair das trevas por via de uma profunda alteração interior, reflexiva, positiva, questionante mas confiante na intrínseca bondade existente, à priori, em cada um de nós. Simbiose das ideias arduamente escavadas da profunda e empedernida massa feita de interesses, hipocrisias e desigualdades de que era(?) feita a sociedade humana durante séc., Kant criou toda uma nova filosofia que veio, ao longo dos tempos, a dar origem a novos e rearmados sábios, verdadeiros faróis para a sociedade. Woody Allen é um deles.

 

Numa obra que assenta num profundo conhecimento cultural, baralhando por completo borolentos conceitos de ética ou estética e, sobretudo fazendo uso de um desconcertante e imbatível uso da mais inteligente forma de expressão humana, o humor, este homem deu-nos obras, verdadeiros gritos de apelo à liberdade do pensamento, que, estou em crer, se tornarão intemporais, e que, tal como Kant, irá ser estudado durante tempo muito para além da sua morte. Só por vir a propósito atrevo-me a nomear a ultima obra, mais um argumento original, Meia Noite Em Paris, na qual o mestre faz uma demonstração brilhante de quanto enganosa é a crença ou mito, de que há épocas imbatíveis, de esses sim! eram os bons tempos. Fantástico banho de positivismo, de crença no tempo que cada um de nós está a viver, no alerta para o não desperdício, para o acordar para a vida, vivendo-a em toda a sua plenitude, pela desistência da auto comiseração e do endeusamento do passado.

 

Não resisto à tentação de pensar que Kant, se vivesse nos nossos dias, seria um hipocondríaco e genial artista nova iorquino, globalmente (re)conhecido, até na remota Kaliningrado, antiga Konigsberg, onde há mais de duzentos anos vivera o célebre filósofo Woody Allen, de onde nunca tinha saído fisicamente, mas na qual tinha feito nascer um dos mais belos conceitos da natureza humana.

 

"Para si sou ateu, para Deus, sou um leal opositor"

"O homem explora o homem e por vezes é o contrário"

"É muito difícil fazer sua cabeça e seu coração trabalharem juntos.
No meu caso, eles não são nem amigos"

"Não quero atingir a imortalidade com meu trabalho, mas sim não morrendo"

"Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido"

Não despreze a masturbação - é fazer sexo com a pessoa que você mais ama"

"Separei-me de minha esposa porque ela era terrívelmente infantil. Uma vez, eu estava a tomar banho na banheira, e ela afundou todos os meus barquinhos sem nenhum motivo aparente"

...Somente um amor incompleto pode ser romântico...

"As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais"

"Faço análise há trinta anos e a única frase inteligente que já ouvi do meu analista é a de que preciso de tratamento"

"A vantagem de ser inteligente é que podemos fingir que somos imbecis, enquanto o contrario é completamente impossível"

"E se tudo que conhecemos for uma ilusão, e nada existe de verdade? Nesse caso, acho que paguei demais pelo tapete da sala"


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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