semtelhas @ 13:18

Seg, 15/04/13

 

Aqui há uns tempos a RTP exibiu o filme 1900, uma saga de mais de cinco horas onde se pode assistir ao nascimento de alguns dos ismos que marcaram o séc. passado, socialismo, fascismo, comunismo e nazismo. Já o tinha visto em 1976, no Coliseu o Porto, mas desta vez percebi como é intemporal. Está a acontecer. Agora.

 

 

 

O filme de Bernardo Bertolucci, e que tem como protoganistas um menino rico e um pobre, Robert de Niro e Gérard Depardieu em príncipio de carreira, em volta dos quais é construído todo um argumento onde a luta de classes, no sentido mais amplo do termo, vai adquirindo várias facetas durante o periodo que vai desde os anos anteriores à primeira grande guerra, até ao fim da segunda. Para quem gosta do típico filme italiano com todo aquele realismo que lhe é característico, seja pelos personagens de Fellini, pela beleza das imagens de Visconti, a perversidade de Pasolini, ou pela relevância dos temas do próprio Bertolucci, aqui encontra tudo isso. Uma autêntica lição de história que influência para sempre quem a ela tem a felicidade de assistir.

 

O que ali se relata é a eterna luta da humanidade pela sobrevivência e as suas especificidades em cada fase histórica, sendo que para além dos habituais lados presentes na contenda, uma minoria poderosa e agressiva e uma maioria fraca e subserviente, que na luta vão promovendo uma espécie de evolução em que tudo muda para que o essencial fique na mesma, que se vai repetindo em ciclos, e independentemente das estratégicas ideológicas, políticas ou militares que, também elas se vão renovando e refinando para o mais do mesmo seguinte, há uma variável constante, o posicionamente geográfico dos agressores e dos agredidos. Foi sempre no centro da Europa que nasceram aqueles conflitos.

 

Hoje, mais de cinquenta anos depois, e quando se assiste ao recrudescer dos discursos xenófabos do norte relativamente ao sul do continente, evidente anúncio do desmembramento do projeto de união que nasceu precisamente para evitar novos confrontos, fruto do habitual abuso das classes dominantes, e de um brutal encolher do mundo, processo de globalização muito mais rápido que os burocratas europeus a construir o tal edíficio sólido para a tudo isso resistir, que apanhou a Europa em contra-pé, ainda que, provávelmente, só pricipitando o que viria a acontecer mais tarde, o desenterrar de ódios não resolvidos, assiste-se a mais um dejá vu.

 

Uma das  grandes vantagem dos registos históricos é precisamente aprender com os erros cometidos. Se até há algum tempo parecia que os países do norte constítuiam um todo que de alguma maneira afastava os fantasmas da guerra da qual boa parte deles também foram vítimas, agora as trocas de acusações estão cada vez mais remetidas à Alemanha, mais uma vez de volta a uma posição dominante e â respetiva arrogância, e aos países preguiçosos do sul, particularmente a Grécia que até já reclama um ajustar de contas relativas a dívidas das tais guerras, cada vez mais presentes, de volta à nossa memória coletiva desta vez não por via dos filmes ou dos livros, mas por uma ameaça que se sente crescente.

 

Diz-se que está tudo suspenso da reeleição, ou não, de Merkel em Setembro próximo. Que primeiro ela tem de conquistar os alemães, supostamente dando-lhes a ideia de que vai continuar a praticar uma política de rédea curta perante os países incumprimendores, o que eles desejarão e portanto indispensável para a contínuidade no poder para, então sim, retomar o projeto europeu de crescimento comum, de momento só presente nos discursos. Alguém acreditará nisto? E se fosse verdade os alemães íam aceitar pacíficamente terem sido enganados? E, por outro lado, conhecem-se alternativas credíveis à atual chanceler alemã?

 

Pode ser que ainda salte alguma lula da caldeirada do caldeirão de políticos teutónicos com ideias federalistas para a europa, única forma de manter a paz no continente, como o tentou Kohl por exemplo, mas suficientemente inteligente para as ir implementando a um ritmo que não agrida o espírito beligerante alemão. Pode ser que Merkel seja esse líder, mas também pode acontecer ser eleito alguém que diga, porque acredita, tudo aquilo que parece ser o que a maior parte dos alemães hoje querem ouvir. A realidade é que entretanto alguns países só sobrevivem somando dívidas à dívida.

 

Depois das guerras, aos alemães bastou serem iguais a eles próprios para recuperarem, se pagaram as suas dívidas não sei, mas sei que  alguns países, se forem iguais a si próprios, não as vão conseguir pagar em ambiente de paz, se não houver respeito de todos pelas idiossincrasias de cada um. É só ver o 1900.

 


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