semtelhas @ 12:50

Sab, 16/03/13

 

As primeiras impressões deixadas pelo novo papa resultam em sensações ambivalentes, ora que estamos perante algo de novo, ora que a aceitação dessa possibilidade será muito complicada.

 

O homem tem um andar meio trôpego, um balançar esquerda/direita, que juntamente com uma passada larga e talvez demasiado rápida a quem se costuma exigir alguma solenidade, está a deixar meio mundo entre o estupefacto e o perplexo. Depois fala que se farta! E não é própriamente naquele tom que remete a um quase pôr em sentido ou convide a profundos recolhimentos, não! É como se se tratasse de uma pessoa normal. Será que se deu o milagre?

 

Ontem, ou antes de ontem, quase caía após tropeçar nas alvas vestes. Aterrou nos braços de um cardeal que estava por ali perto. Serei eu, ou começa a perceber-se algum desconforto nas expressões fisíco-faciais dos seus pares? E que dizer do silêncio ensurdecedor das santas almas que tão católicamente costumam apelar às boas graças do Senhor? Será que, tal como Marcelo tanto confiou, o Espírito Santo (Deus) iluminou as mentes e conduziu acertadamente os dedos dos seus representantes nesta pobre Terra, na escolha do principal dos apóstolos?

 

Ele é a antiga namorada a quem foi prometida casa em troca do casamento, ou então a definitiva renúncia aos prazeres da carne. A acusação de colaboração com a junta militar argentina que durante alguns anos aterrorizou aquele país. Que só tem um pulmão e portanto sofre de fragilidade permanente, e  mais o resto que virá. É verdade que as opiniões recolhidas entre quem com ele privou falam de simplicidade, humildade, simpatia, dedicação, energia, em suma um homem normal e bom. Chegará?

 

A conjuntura em que foi eleito, após a renúncia de Bento XVI e as circunstâncias que rodearam a mesma, nomeadamente o problema da pedofilia e as questões financeiras ligadas ao Vaticano, quase obrigaram os cardeais a optar por uma espécie de corte radical com o passado, dando assim, desde logo, uma ideia de mudança, o que resultou na escolha de um candidato não europeu, mas também, provávelmente e pelo que parece, em alguém com um perfil diferente do habitual. O descrédito, ameaça fatal, poderá ter levado a uma opção forçada.

 

A Igreja Católica tem um poder tentacular imenso por esse mundo fora que, se potenciado ao máximo, coisa que julgo não estar a ser feita, basta pensarmos nas escusadas demonstrações de riqueza ao mais alto nível, ou do evidente desvio daquilo que deveria ser a vocação mais profunda de organizações a ela ligadas, como no caso da Opus Dei, poderá não só levar os que dirigem o nosso destino comum a serem conduzidos, pelo exemplo, a meter a mão na consciência, bem como a uma mais efetiva ajuda no combate à pobreza.

 

Escolheu o nome Francisco e já lhe chamam o papa dos pobres. Será maravilhoso se o conseguir e, lamento sinceramente o pessimismo, talvez o maior obstáculo que terá para ultrapassar, surpreendente se o deixarem.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
procurar
 
comentários recentes
Pedro Proença como presidente da Liga de Clubes er...
Este mercado de transferências de futebol tem sido...
O Benfica está mesmo confiante! Ou isso ou o campe...
Goste-se ou não, Pinto da Costa é um nome que fica...
A relação entre Florentino Perez e Ronaldo já deve...
tmn - meo - PT"Os pôdres do Zé Zeinal"https://6haz...
A azia de Blatter deve ser mais que muita, ninguém...
experiências
2018:

 J F M A M J J A S O N D


2017:

 J F M A M J J A S O N D


2016:

 J F M A M J J A S O N D


2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


mais sobre mim