semtelhas @ 13:44

Sab, 23/02/13

 

Não. Não é um lisboeta afetado a pronúnciar a palavra senha, é mesmo a sanha em que se pode tornar esta forma de protesto contra a governação, cantando a Grândola Vila Morena.

 

Curioso como quase quatro décadas depois a canção pode voltar a servir para dar início, pôr em marcha, agora já não os militares saíndo dos quarteis em direção aos locais onde morava o poder, mas a tomada de consciência, um abrir dos olhos e, porque não?, dos corações, de quem nos governa, para o degradar contínuo da qualidade de vida da maior parte dos seus compatriotas, para um nível que cada vez mais nos afasta da média europeia, e que, além do mal que já está a causar, poderá vir a ter reflexos profundos nas gerações vindouras. Esta saga autoritária de austeridade, no conteúdo, mas também na forma como foi e continua a ser imposta, está a criar um sentimento de revolta que resulta neste tipo de manifestações, já não tanto reféns de um programa político, como alguns membros do Governo e do PSD, ingénua, mas também malévolamente, tentam fazer crer, mas com origem na sociedade civil, nomeadamente nos mais jovens, como acredito cada vez mais se provará, sobretudo se se insistir nesta política.

 

Ouvindo algumas personalidades da nossa praça, ou lendo as caixas de comentários, que referem as interrupções por via da Grândola durante palestras em que participam membros do governo, concluem-se duas coisas: muitas dessas personalidades acusam esse tipo de manifestações, elas próprias, anti-democráticas porque impedem que alguém expresse a sua opinião, e que uma parte da opinião da população é violentamente contra as mesmas. Às primeiras é preciso perguntar que outra forma, minímamente eficaz, têm as pessoas de protestar? Indo para a rua às centenas de milhar para depois serem olìmpicamente ignoradas? Pode ainda questionar-se que tipo de respeito tem demonstrado quem nos governa por alguns direitos básicos, até tidos como adquiridos? Pura e simplesmente fazendo tábua rasa, por exemplo, da Constítuição da República? Desculpam-se que os tempos não são de meias-medidas, que a situação real não o permite, que em tempo de guerra não se limpam armas. Pois é precisamente por isso que este tipo de manifestações são, não só legítimas como correspondem a uma necessidade provocada por quem está do outro lado. Do lado em que se puseram. São efeitos, não causas. Dos segundos, quase sempre anónimos, penso tratarem-se de pessoas cuja crise lhes passa ao lado, ou serem pessoas visceralmente contra qualquer tipo de intervenção estéticamente ofensiva confundindo, no caso, aquela com ética, ou então tratarem-se de opiniões objetivas, óbviamente respeitáveis mas que penso, em qualquer dos casos, serem escassas. Por isso será desejável que o Governo não aproveite maldosamente esta aparente divisão entra a população, apesar de já ter dado alguns sinais nesse sentido, descambando para uma espécie de vale tudo, porque, aí sim, as coisas poderiam assumir proporções realmente dramáticas.

 

Forma muito inteligente de contrariar o estado das coisas, começa mesmo a ter seguidores noutros países, pode dar origem a reações extremas. Haja bom senso, porque, de uma maneira ou de outra,  ninguém ficará impune. Cada um tem aquilo que merece.


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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