semtelhas @ 11:37

Sex, 22/02/13

 

Bestas do Sul Selvagem é não só  um filme sobre um lado lunar dos EUA, mas também daquela, aquele que fica sempre na sombra, pobre e escondido.

 

 

 

Há  uma ideia, preconcebida, dos protagonistas desse mundo como gente sorumbática, vingativa, beligerante, ou seja, feios, porcos e maus. Nada mais errado neste caso. O filme retrata a vivência de um conjunto de pessoas que voluntáriamente escolheu a liberdade desprezando o conforto, e, à sua maneira, são felizes. São seguramente porcos no sentido em que o seu conceito e a prioridade que dão à limpeza é bem diferente do normal, serão feios numa perspetiva simplista de beleza, na qual a estética está refém de pressupostos exclusivamente ligados à plasticidade ou à simetria, e mesmo maus se se confundir maldade com luta pela sobrevivência e defesa dos princípios em que se acredita, até à morte. Pelo contrário, a sensação com que saímos da sala de cinema é bem diferente, goste-se ou não da escolha feita por aquela gente, fica bem claro que a marginalidade por que optaram corresponde a um profundo desejo de liberdade, que é uma comunidade absolutamente solidária, que fazem da dignidade no sentido mais intrínseco do termo, algo de inegociável e, acima de tudo têm como principal arma e sua maior força, um expressar de sentimentos profundamente genuíno, o que faz com que, ali, amor, ternura, perseverança ou coragem, não sejam palavras vãs, antes vividas até ao limite.

 

Filme duro, difícil, pela sua crueza, está nos antípodas de tudo o que costuma ser o cinema feito nos EUA. Sem qualquer cedência a facilitismos e sem cair em quaisquer tentações comerciais, a realidade é-nos imposta a cada minuto, servida por um argumento, também ele simples e direto como a própria vida o é, sem artefícios ou explicações desnecessárias, é tudo perfeitamente e duramente óbvio, por um conjunto de atores verdadeiramente notáveis, sobretudo a protagonista em volta da qual toda a estória decorre, uma menina de nove anos com uma interpretação assombrosa.

 

Por que é que será que há cada vez mais pessoas a fugir da civilização instalada, e do seu progresso, sereia, predador e necrógafo do corpo e alma de quem a ele se vende, fatalidade à qual hoje poucos conseguem escapar? Será uma espécie de acordar para os valores mais profundos da natureza humana? Uma procura de coerência com as restantes formas de vida que nos rodeiam? Um fluir mais natural e harmonioso. Poderá tal desiderato ser considerado feio, porco e mau?

 


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