semtelhas @ 13:44

Seg, 18/02/13

 

É o que poderia muito bem constar na idade aconselhada para assistir ao filme Lincoln de Steven Spielberg.

 

 

 

Se excluírmos alguns maçadores diálogos a propósito da estratégia para fazer passar a lei anti-escravatura, em interação com uma proposta de paz que poria fim à guerra civil dos EUA, práticamento tudo o resto é mais um exercício Spielbergiano de entretenimento, no quais é imbatível, neste caso particularmente rico em esmagados olhares esclarecedoramente parados dos vários personagens pousados sobre Lincoln, num estarrecido espanto e admiração, enquanto a música nos vai, também a nós, crescentemente conduzindo a um estado de prostração perante tanta genialidade. Bastante manipulador para que não demos por isso. Se pensarmos que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir a escravatura (quase cem anos antes ainda que só em parte do Império) e de como esse facto é quase desconhecido, poder-se-á avaliar, descontando a reconhecidamente pouco informada população dos EUA, quão delirante é este seu inflamado levar aos píncaros.

 

O argumento é perfeito em termos de atualidade, seja analisado do ponto de vista oportunista, ou de homenagem ao atual inquilino da Casa Branca, o eventual lado interesseiro da coisa não pode ser ignorado. Está claro que é perfeitamente legítimo mas se enquadrado num filme infanto/juvenil, com objetivos mais formadores de patriotas do que própriamente numa obra preocupada em transmitir a realidade do que realmente se passou. Nem aquele género de lavagem à corrupção, legitimando os meios atendendo aos fins, conferem a este filme um ambiente mais verosímil porque o realizador trata logo de nos embrulhar em mais uma frase pomposa, uma música gloriosa ou uma imagem teatral. Talvez lhe comece a faltar aquele inconformismo ( A Cor Púrpura, A Lista de Schindler, O Resgate do Soldado Ryan, etc.) indispensável para nos dar obras algo mais que luxuosos e competentes divertimentos.

 

Será preciso uma boa dose de patrioteirismo para oscarizar este filme (nas categorias mais relevantes). Sobretudo tendo como alternativas, O Mentor, Argo, ou 00.30 Hora Negra, só para referir os igualmente originários dos EUA. Nem Daniel Day- Lewis escapa a um certo facilitismo se pensarmos nos desempenhos em My Lefte Foot, Gangs of New York ou Haverá Sangue, entre outros.

 


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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