semtelhas @ 12:34

Sab, 16/02/13

 

O outro queria voltar para a ilha...temo que comecem a escassear face a tantos pretendentes. Talvez não seja má ideia explorar esse nicho de mercado por cá (viva o empreendedorismo!), do fabrico de bunkers. Lá fora fazem-se anticataclismos naturais e antiguerra nuclear, entre nós acho que vou apostar nos antidepressão, afinal o mercado dos antidepressivos correspondentes comprimidos é francamente promissor, vasto e em imparável crescimento (campeões da Europa dizem as estatísticas). 

 

É que se os há por cá desconheço, esses buracos de luxo, espécie de suítes enterradas, mas para todo o serviço, talvez por ainda estarmos mais ocupados (o atraso do costume) em lidar com este nosso já ancestral problema de viver nesta bipolaridade, que vai desde ativamente pôr-mos em prática a nossa já muita comprovada capacidade de lacaios, outra vez e sempre do poder, bufando pidescamente assim substituindo o Estado na sua obrigação de fazer cumprir as leis, com a fundamental diferença, sinal dos tempos, que agora em vez de se receber a cenoura ainda temos que pagar, até ao assistirmos, impotentes, ao descontraído caminhar para o abismo a que esses mesmos doutos governantes do bufanço, das fileiras dos quais sábiamente um recentemente se retirou para agora livremente os poder mandar ir tomar no cú (isto, assim, em brasileiro, não deve querer dizer aquilo em que estou a pensar) por interposto fiscal da faturação, nos estão a conduzir. Pergunto-me se o chefe da banda não terá razão quando nos manda ir dar uma volta, é que isto tanto parece a caminho da desertificação como, no segundo seguinte, um promissor ninho de oásis de oportunidades, assim se tenha poder ou dinheiro, o que, como é sabido, toca a poucos.

 

Pelo meio a habitual mania das grandezas de uns, intrépidos marinheiros de várias águas, particularmenete das mais turvas, penso que originária no sucesso resultante da pulsão que constitui o apelo do mar por todo o lado (comum a todos os países nestas circunstâncias quando descobrem antes de serem descobertos, e terem um vizinho de ombros largos), que conduziu a uma postura tipo mais olhos que barriga, e o tradicional conservadorismo dos habituias e agoirentos velhos do restelo, o atávico medo, de muitos outros que formam uma imensa mole de sibilas e manhosos sempre prontos a alimentar-se da desgraça alheia. De um lado excesso de tudo e mais alguma coisa: jornais, clubes, cantores, concursos, cafés, restaurantes, empresários, empreendedores, advogados, arquitetos, professores, estudantes, políticos, jornalistas, jogadores da bola e de casino, lojas, automóveis, auto-estradas, centros comerciais, psicólogos, licenciados e doutores e engenheiros em geral, do outro, gente com pouca qualificação, velhos, criancinhas por todo o lado, funcionários públicos, polícias, militares, gente de meia idade à deriva, etc., etc., etc.. Uma esquizofrenia para a qual não vejo saída.

 

Há uns tempos atrás, perante este meu discurso pessimista, um amigo, pai de três meninas entre os dois e os oito anos de idade, dizia-me com sentido humor negro: ok, quando chegar a casa vou pegar nas minhas filhas, escolher uma ponte bem alta, e atiramo-nos dela abaixo. Talvez esta incapacidade de ver um futuro seja a mais acabada confissão da muito portuguesa caracteristica de nada fazer nem sair de cima (cá está o meu momento Viegas). Oxalá que sim, entretanto... QUERO IR PARA O BUNKER!


direto ao assunto:

"O medo de ser livre provoca o orgulho de ser escravo."
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